4.8.06

Retratação... ou a Provável Volta dos que já foram

Soneto

Meus caros, volta-se porque se tem saudade
Porque se foi feliz intimamente
Volta-se porque se tocou num inocente
E porque sse encontrou tranquilidade

A despeito da vida que acorrente
Volta-se, volta-se para a sinceridade
Volta-se sempre, tarde ou de repente
Na alegria ou na infelicidade.

E nada como esse apelo da lembrança
Para se trasfigurar numa esperança
Essa desolação que uma alma leve

Assim é que, partindo, eu vou levando
Toda a desolação de um até-quando
Num ardente desejo de até-breve.

(Vinicius de Moraes)


Como dizia o sábio profeta "enganoso é o coração..." Quem sabe para onde ele vai? Como um ribeiro de àguas é o coração humano... Seu destino é incerto e quando menos esperamos tomamos rumos diferentes do que a razão espera...


Confesso que me enganei... Pintei uma menina má... Mas ela era somente uma menina... Uma menina que me magoou algumas vezes como eu a magoei também... E nós dois como verdadeiros porco-espinhos não podíamos ficar ao lado um do outro...

Mas a saudade ficou... Ela me procurou e eu não quis ouvir... Talvez por medo de sofrer, não sei bem ao certo... Disse coisas duras neste blog e a magoei de novo...

Agora temos uma chance de tentar de novo... Posso sofrer mas o que se pode fazer quando se ama? Estou sendo tolo? Bem se amar´alguém e reconhecer seus erros é tolice então eu não deveria ser poeta...

Soneto do Amor Demais

Não, já não amo mais os passarinhos
A quem, triste, contei tanto segredo
Nem amo as flores despertadas cedo
Pelo vento orvalhado dos caminhos.

Não amo mais as sombras do arvoredo
Em seu suave entardecer de ninhos
Nem amo receber outros carinhos
E até de amar a vida tenho medo.

Tenho medo de amar o que de cada
Coisa que der resulte empobrecida
A paixão do que se der à coisa amada

E que não sofra por desmerecida
Aquela que me deu tudo na vida
E que de mim só quer amor - mais nada.
(Vinicius de Moraes)

Agora se no final disso tudo alguém achar que sou idiota que ache...