14.8.06

Delírios Gastronômicos e Poéticos

Horário Atipico?

Odeio é aguentar
No ponto a ficar
Impaciente e tão feroz
Basta! A Dor é atroz!
Uma eternidade se faz
Sem tempo, sem paz...

Após trinta minutos de espera ainda tenho que ouvir a justificativa: "Horário Atípico"...

Ah... só se for "atipico" para os ricos... porque, para nós, meros mortais, pegadores de "busão", essa segunda-feira foi quase típica...

Digo "quase", pelo fato de chegar 32 min atrasado...

Ah que saudade da época que não existia BHTrans...

Delirium tremens:

"Não só vinho, mas nele o olvido, deito
Na taça: serei ledo, porque a dita
É ignara. Quem, lembrando
Ou prevendo, sorrira?
Dos brutos, não a vida, senão a alma,
Consigamos, pensando; recolhidos
No impalpável destino
Que não 'spera nem lembra.
Com mão mortal elevo à mortal boca
Em frágil taça o passageiro vinho,
Baços os olhos feitos
Para deixar de ver." (Ricardo Reis)

Cheguei a conclusão que tenho algo de Salvador Dalí. Não digo isso no que diz respeito a sua famosa ausência de modestia... É bem verdade que, não busco e nem tenho tendencia a me vangloriar (é sério!). Entretanto, como ele, tenho uma imensa admiração pela culinária... Sendo mais claro, diferente da maioria dos apreciadores de butecos - ponto de encontro de todo mineiro que se preze - tenho uma queda maior pelos tira-gostos do que pelas bebidas... Quem conhece o maior evento de BH, Comida di Buteco, sabe muito bem do que estou falando...

"Depois de quatro ou cinco copos parecia-me descobrir idéias sublimes, que me apressava em anotar. No dia seguinte, tinha vergonha da pobreza dessas notas. Parei de beber, pois sou fundamentalmente ligado à inteligência." (Salvador Dalí)

Não gosto de me embriagar... Detesto perder minha sobriedade. Isso não significa que eu não beba: aprecio sim uma cervejinha com amigos, um vinho acompanhando uma massa ou carne, um drink na "night"... Mas confesso que beber quando estou acompanhado é algo que evito cometer. Talvez porque tenho aversão a gente bêbada e nao quero que minha companheira passe por algo tão constrangedor. Ou quem sabe isso é resquício de um medo de puxar o lado "alcoolatra" de minha familia? Bem, de qualquer modo, eu prefiro beber exclusivamente socialmente...

Já passei por situações constrangedoras por causa da bebida. Tanto com relação a namoradas bêbadas e enciumadas como quando, eu, bêbado, peguei no flagra uma ex-namorada sendo "alisada" por outro sujeito... São situações que procura evitar e nem gosto de me lembrar!

A bebida pode ser um prazer maior quando apreciada com moderação. Todavia na maioria dos casos percebemos jovens totalmente fora de si... Uma teoria que desenolvi, em minhas andanças pelo interior de Minas, é que as mulheres de cidades interioranas bebem mais... Será que isso tem a ver com os tipos de programas disponíveis?

Longe de mim criticar os apreciadores de bebidas, somente devemos considerar como as usamos. Pois, muito melhor do que o ato de se embriagar, está o prazer do saborear a bebida... O "saber" das células gustativas, a ciência do paladar, utilizada com a finalidade de saciar o espírito. Afinal, como dizia S. Paulo, "não devemos no embriagar de vinho, mas do espírito"... Ora, o próprio Jesus era bebedor de vinho, contrariando a teoria de muitos daqueles que se negam os prazeres do vinho, em nome de um suposto dogma sagrado. Porém, está implícita a idéia de equilíbrio, Yin Yang, evitando-se excessos e vícios que contaminam o coração humano e causam mal a própria saúde...

"A temperança, que é a moderação nos desejos sensuais, é também a garantia de um desfrutar mais puro ou mais pleno. É um gosto esclarecido, dominado, cultivado. (...) A temperança é essa moderação pela qual permanecemos senhores de nossos prazeres, em vez de seus escravos. É o desfrutar livre, e que, por isso, desfruta melhor ainda, pois desfruta também sua própria liberdade. Que prazer é fumar, quando podemos prescindir de fumar! Beber, quando não somos prisioneiros do álcool! Fazer amor, quando não somos prisioneiros do desejo! Prazeres mais puros, porque mais livres. Mais alegres, porque mais bem controlados. Mais serenos, porque menos dependentes. É fácil? Claro que não. É possível? Nem sempre, sei do que estou falando, nem para qualquer um. É nisso que a temperança é uma virtude, isto é, uma excelência: ela é aquela cumeada, dizia Aristóteles, entre os dois abismos opostos da intemperança e da insensibilidade, entre a tristeza do desregrado e a do incapaz de gozar, entre o fastio do glutão e o do anoréxico. Que infelicidade suportar seu corpo! Que felicidade desfrutá-lo e exercê-lo!" (Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, de André Comte-Sponville, Tradução de Eduardo Brandão)

Comentários lupinos:
Explorando a net encontrei alguns blogs interessantes sobre culinária... Tive a idéia de incluir em minha toca um espaço para os melhores blogs de culinária que encontrar na net... Mandem sugestões...

Ceci, agradeço a oração...
Bel, bom saber que temos um gosto em comum...
Rita, como todo mundo ainda acho q posso melhorar minha adm. de tempo...
Ladra, ainda não li, apesar de já estar na minha lista...
Julis, continue acompanhando pois brevemente terei novas "indicações"...
Clarice, obrigado pelo constante carinho... saiba que o prazer de te ler é recíproco...
Sérgio, obrigado amigo, bom fds procê....
Diana, há algo melhor que o cheiro do tempo em uma biblioteca?
Clarinha... lindo texto... como sempre....

Obrigado pelas visitas de todos...